Embora muitos adultos pareçam não se lembrar, a verdade é que crescer nunca foi algo fácil e leve.
“Se pensa que ser adolescente na sua altura era difícil, você não imagina o que é agora” – disse-me uma jovem, de 15 anos, em consulta. E eu acredito.
A adolescência, por si só, sempre representou um período mais conturbado, no entanto, hoje mais do que nunca, ser adolescente é um verdadeiro e permanente desafio emocional. Vivemos num tempo de excessos (de informação, de expectativas, de comparações) e os adolescentes estão no centro de um furacão silencioso, muitas vezes ignorado pelos adultos que os rodeiam.
Há uma pressão constante para ser tudo, ao mesmo tempo. Para responder às notas, à aparência, às redes sociais, ao grupo de amigos, às expectativas da família. E neste esforço absurdo o adolescente vai tentar equilibrar-se até que o peso se torne insuportável.
Muitas vezes os adolescentes não têm espaço nem vocabulário emocional para expressar o que sentem e é aí que surgem os sinais que trazem tantas e tantas famílias às consultas de Psicologia: irritabilidade, isolamento, ansiedade, baixa autoestima, desmotivação, agressividade.
Os comportamentos não são problema, mas sim sintoma. É a forma que o adolescente encontrou para pedir ajuda, para dizer sem dizer.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2021), cerca de 1 em cada 7 adolescentes no mundo sofre de algum tipo de perturbação mental, sendo a ansiedade e a depressão as mais prevalentes.
Como adultos, temos a responsabilidade de escutar mais e julgar menos. De perguntar com interesse genuíno, de validar emoções, de criar espaços seguros e de confiança.
Frases como “isso passa, é uma fase”, “quando fores adulto vais ver o que custa a vida” ou “isso são coisas da idade” não podem existir no nosso discurso. Precisamos de parar de minimizar o que o adolescente sente e validar a forma como vê e entende o mundo. Não precisamos de ter uma resposta certa para tudo ou uma solução para qualquer situação, precisamos, apenas e só, estar presentes, com paciência e empatia.
Crescer dói… mas quando se sabe que não se está sozinho, a dor não assusta tanto!